Notícias Contábeis


Saiba como liberar créditos de ICMS via Justiça e recuperar valores pagos indevidamente

14/07/2026

Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Empresas que acumulam créditos de ICMS ou identificam pagamentos indevidos do imposto podem recorrer ao Judiciário para recuperar esses valores quando a restituição ou a homologação administrativa é negada ou demora demais. A medida pode representar um reforço importante no caixa das organizações, mas exige planejamento, documentação consistente e observância das etapas previstas na legislação.

Especialistas destacam que, embora a via administrativa deva ser considerada primeiro em muitos casos, a judicialização se torna alternativa quando há resistência do Fisco em reconhecer o direito ao crédito ou quando a discussão envolve teses tributárias já consolidadas pelos tribunais.

Quando a empresa pode recorrer à Justiça

O ICMS é um tributo estadual e, em diversas situações, o contribuinte acumula créditos que não consegue usar integralmente ou identifica recolhimentos feitos de forma indevida. Entre os casos mais comuns estão o pagamento de ICMS maior do que o devido, os créditos acumulados em operações de exportação, os benefícios fiscais não reconhecidos pelo Fisco, as discussões sobre a interpretação da legislação estadual e a recuperação de valores reconhecidos em decisões judiciais favoráveis.

Antes de ajuizar uma ação, é recomendável verificar se existe um procedimento administrativo capaz de resolver a questão. Em muitos estados, pedidos de homologação, restituição ou transferência de créditos podem ser analisados pelas secretarias da Fazenda, evitando uma disputa judicial mais longa. Quando há negativa administrativa ou demora injustificada, a ação judicial passa a ser uma alternativa para garantir o direito do contribuinte.

Como funciona a recuperação judicial dos créditos

Ao reconhecer o direito da empresa, a Justiça pode autorizar a recuperação dos créditos tributários. A utilização desses valores, porém, depende do trânsito em julgado da decisão, ou seja, quando não cabe mais recurso.

Nos casos de créditos federais decorrentes de decisão judicial, a empresa deve solicitar previamente a habilitação do crédito na Receita Federal antes de qualquer compensação. Após o deferimento, os valores podem ser usados por meio da declaração de compensação via PER/DCOMP, ferramenta oficial da Receita. A legislação prevê que a compensação só pode ocorrer após a habilitação formal do crédito.

Depois de habilitado, o crédito pode ser utilizado pelo próprio PER/DCOMP, de forma totalmente digital, no Centro Virtual de Atendimento (e-CAC). O contribuinte acessa o portal da Receita, faz login com conta Gov.br nível Prata ou Ouro ou certificado digital e seleciona "Restituição e Compensação" e "PER/DCOMP Web". Em seguida, escolhe o tipo de pedido — restituição, ressarcimento ou declaração de compensação — e informa os dados do crédito, como período de apuração e valores. O sistema faz automaticamente a atualização monetária pela taxa Selic.

Segundo a Receita Federal, somente créditos devidamente habilitados e acompanhados da documentação exigida podem ser usados para compensar tributos federais, o que reforça a importância de conferir todas as informações antes do envio.

Documentação é essencial

Independentemente da esfera administrativa ou judicial, a recuperação de créditos exige um levantamento detalhado da documentação fiscal e contábil. Entre os documentos normalmente analisados estão notas fiscais, livros fiscais, apuração do ICMS, comprovantes de recolhimento, demonstrativos contábeis e memória de cálculo dos créditos. A falta de documentação ou inconsistências na escrituração podem comprometer o reconhecimento dos valores, tornando indispensável o apoio das áreas contábil e tributária.

Planejamento reduz riscos

Especialistas alertam que a recuperação de créditos de ICMS não deve ser tratada apenas como oportunidade financeira. Antes de ingressar com a ação, é importante avaliar a viabilidade jurídica da tese, os custos do processo e os impactos fiscais da futura utilização dos créditos. Também vale realizar auditorias tributárias periódicas para identificar créditos que possam estar sendo desperdiçados e corrigir falhas na apuração. Com o aumento da fiscalização eletrônica e das discussões envolvendo o ICMS, empresas com gestão fiscal organizada tendem a recuperar créditos com mais segurança e reduzir o risco de questionamentos futuros.


Fonte: Com informações de Contábeis